Tecnologia x Amor?

Quanto tempo faz que você não escreve uma carta de amor? Vá lá… um bilhetinho mesmo.

Ou melhor… quanto tempo faz que você NÃO ESCREVE um texto qualquer, que seja? Digo… à mão?

Tudo bem, a cada dia me torno mais “old school” (pra não falar “velho”, mesmo), mas quem é da geração pré internet/celulares sabe bem o que estou falando. Em minha já longínqua infância e pré adolescência, bilhetinhos de amor ou torpedinhos em pequenos pedaços de papel, escondidos estrategicamente em livros escolares, eram comuns.

Hoje em dia, torpedos só via SMS. Mensagens apaixonadas, só via Orkut ou Facebook. Bilhetinhos perfumados (alguém lembra disso?) se tornaram mais ultrapassados que relógio cuco (lembra também?). Cartinhas de amor, só se contiver até 140 caracteres…

Isso quer dizer que a tecnologia está acabando com o romantismo do mundo?

Não chegaria ao ponto de ser tão radical, mas diria que está mudando a forma como vemos o romance. Digamos que o romance está ficando um pouco mais impessoal. Mais… frio? Afinal, por mais apaixonado que se seja, é impossível expressar uma paixão adequadamente com emoticons. Ou, pelo menos, EU acho.

Uma espetacular citação de Nietzsche copiada da seção “frases de amor” do blog “1001 frases pro Orkut”. Qual a identidade disso? Aonde está a originalidade de um ridículo poeminha de pé quebrado (meu amor por ti gela!), que por pior que fosse, transmitia alguma emoção.

Agora vivemos em uma época onde as emoções estão virando “coletivizadas”. Um mesmo emoticon pode servir para milhões de pessoas expressarem o mesmo sentimento, que embora absolutamente pessoal, vira de expressão coletiva. Meras cópias repetidas (e retuitadas) à exaustão.

O problema é que cada amor é único. Embora as sensações do “estar apaixonado” possam ser similares em nosso íntimo, o amor é sempre entre duas pessoas, e logo, inimitável. Como uma impressão digital.

Então… de que vale uma linda frase filosófica da namorada para o moço simplório da xerox ou um delicado poema de amor da namorada para o garoto ogro metaleiro? Afinal, toda forma de comunicação eficaz se baseia na compreensão da mensagem. Não?

Sendo assim, se existe um amor com qualquer mínima possibilidade de sucesso, com ele existem afinidades. E se existe afinidade… ora… você há de encontrar uma boa forma de expressar seus sentimentos. Seja num desenho, numa frase, num poema meio brega ou em um bilhetinho rabiscado largado no bolso. Uma foto. Um perfume. Qualquer coisa! Mas expresse o SEU amor por alguém, e não o de Nietzsche ou de Camões.

Nada contra SMS’s e tweets. Nada contra recados no Orkut ou Facebook. Nada contra citações de Nitzsche ou Camões, pelo contrário. Seria inclusive bom que todos lessem suas obras ao invés de apenas repetir suas frases como um papagaio.

Mas acredite… manifestações de carinho e apreço sempre são bem vindas, mesmo que com uma falha no foco, uns rabiscos não muito inspirados ou um errinho de português…

Só não vá me escrever “Voçe é mia paichãum” ou “Vouta logu ki eu to morrendo de saldade =)”.
Assim não há amor que resista…

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Uma resposta to “Tecnologia x Amor?”

  1. leticiapensando Says:

    Adorei! Muito bom! Mas ainda acho que em meio a todas essas relaçoes impessoais devemos ressaltar que o Facebook e afins nos servem pelo menos para trocar informações, discutir determinados assuntos que nos interessem…aliás por esse motivo me desfiz do orkut, pois achei o Face mais dinâmico. Bom, o amor, as declarações de amor essas ainda prefiro fazer olho no olho! Quanto ao Face, prefiro postar Nietzsche ou Camões!
    Beijão!

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