O tempo

Faz tempo. Faz muito tempo.

Tanto tempo que já não sei mais nem direito quanto tempo faz.

Mas tempo suficiente para ter a exata noção de tudo o que passou.

Tempo que não para e que inevitavelmente passa. Mas que nunca apaga o que aconteceu. E que jamais apagará as marcas que deixou.

Pode, sim, cicatrizar feridas. Mas nunca deixarão de ser cicatrizes. E uma cicatriz é sempre para sempre. Não há plástica para o coração.

E seu coração vive. Dentro do meu coração.

De forma que o tempo nunca conseguirá apagar. Ou tirá-lo de lá.

Por vezes ele pulsa dentro de mim. Na verdade, ele sempre pulsa. E só parará quando o meu parar.

Mas por vezes ele passa desapercebido. Em outras lateja incessante, como se fosse até mais forte que seu dono. Que pulsa também. Até quando o tempo permitir.

Há tempos que o pulsar incomoda. Descompassa. Descontrola.

Há tempos que parece melhor que cessasse. Que o meu parasse. Porque enquanto não parar de pulsar, o seu também não para. Somente a falência de um traria o fim para o outro.

Há tempos que tento entender como isso acontece. E por que acontece?

Há tempos que penso ter sido melhor que não houvesse. Mas houve. E não se apagam as cicatrizes.

E se não se apagam as cicatrizes, não se congela o pulsar. Por quê?

O tempo que faz milagres. Mas não há distância que separe um coração de dentro do outro.

Afinal, um faz parte do outro. E se ambos são um só, como separá-los?

O tempo é sábio. Mágico. Sublime.

Mas não milagroso.

Apenas confere a paz, senão pela superação, pela conformação. Resignação. Aceitação.

Afinal… o que é o destino senão a ação do tempo se tornando realidade?

Futuro que se torna presente e, um dia, o tempo transforma-o em passado.

Tudo muda. As pessoas mudam. As circunstâncias mudam. Os sentimentos mudam.

Mas o tempo… esse permanece imutável… implacável. O tempo não muda.

Ele apenas… segue. Segue seu caminho sereno ao longo… do tempo.

Tempo que transforma e a tudo sobrepõe. Tudo pode mudar.

Menos o tempo.

E sua ação sobre tudo.

Sim… tudo pode mudar. Mas nem sempre muda.

Como o fato do pulsar estar contido no outro.

E as cicatrizes, que mudam, mas nunca se apagam.

Podemos mudar o futuro, mas nunca apagar o passado. Porque o tempo não volta.

Eterna linha do tempo. Sempre para frente. Sempre em evolução.

Evolução que nem sempre significa caminhar para frente. Apenas caminhar rumo ao futuro.

Futuro que inevitavelmente chegará.

Mas lá na frente… lá no futuro… as cicatrizes ainda estarão lá, guardiãs fieis de um passado indelével do que um dia foi o futuro, passou presente e que hoje reside em um passado longínquo. E que se tornam apenas lembranças de um tempo que nunca mais retornará.

Ainda que se tenha a total noção do que aconteceu. E a inabalável certeza de que, um dia, aquilo foi tudo o que lhe moveu para o futuro.

Cruel destino da humanidade. Redenção para a humanidade. Ou qualquer que seja sua definição…

Apenas o destino. Perpétuo parceiro do tempo.

Inabalável tempo.

Imutável tempo.

Tempo que atravessa gerações e gerações.

Mas que resume uma vida.

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