Valorização Irracional ou só Desvalorização Compulsiva?

Uma coisa que sempre me intrigou é o fato de nunca darmos o devido valor às coisas. É nato do ser humano. A velha história do “a grama do vizinho é sempre mais verde”.

E isso se aplica a tudo. Desde o carro que você comprou à custa de muito suor mas que, passado o encantamento inicial, passa a ser visto apenas como “um passo para chegar naquele bólido igual ao do seu vizinho”; ao apartamento, ao cargo na empresa, à empresa em si etc. Mas como nosso assunto aqui é menos filosófico e mais ideológico, cito isso para mostrar que também se aplica a relacionamentos.
QUEM nunca cobiçou a mulher que não te bola? O canalha do colégio? O chefe casado ou a vizinha gostosíssima que te olha com ar blasé? O desafio nos move rumo a obstáculos aparentemente intransponíveis, mas que se converterão em uma vitória incontestável e gloriosa caso seja conquistada. Certo?

Vitória mesmo? Ou será a desvalorização total de sua própria pessoa?

Veja o seguinte script: a mocinha se apaixona perdidamente pelo mocinho pegador do colégio.

Fato: toda mulher acha que pode recuperar a humanidade (talvez não TODAS, de fato, mas considere isso como um padrão). Logo, ela acha que o rapazinho faz mil mulheres de gato e sapato mas, claro, com ELA vai ser diferente e ela vai fazer o rapaz comer em sua mão.

Situação: o cara não quer pegar ela, senão já teria tentado algo. Claro que você vai pensar que não, que ele “simplesmente não deve ter te notado”. E vai mover mundos e fundos para mostrar que é diferente… especial… maravilhosa…

Resultado: a não ser que ela seja uma trapizomba horrorosa, o rapazinho vai pegar ela, afinal ele pega todas mesmo. E por mais que ela se esforce, ele vai comer e pular fora.

Então me diga se isso foi uma vitória ou se ela se colocou como uma simples boneca inflável para o rapaz? E ele está rindo e cagando pra ela, pensando apenas: “Eu sou foda! Comi mais uma…”?

Como citei acima, isso é uma característica “do ser humano” e não “das mulheres”. Os homens também cometem esse erro. Lutamos meses pela gatinha do trabalho, nos perfumamos, trocamos de carro, pagamos almoços e jantares, fazemos barba e cabelo e ficamos todos pimpões para mostrar a ela que somos mais especiais que o mundo. A única diferença é que a mulher, normalmente, não vai “te comer e pular fora”. Vai simplesmente te manter próximo para encher o ego dela. Com sorte, algum dia você conseguirá uns beijinhos, apenas para manter sua esperança intacta.

Poderíamos chamar isso apenas de “lutar pelos seus sonhos”, se não fosse o problema que tem OUTRA garotinha ali do lado, igualmente maravilhosa e LOUCA por você, mas que você rejeita solenemente. E por que? Oras… Se ela “se joga” pra cima de mim, ela deve ter algum defeito, né? Não pode ser a mulher da minha vida! Da mesma forma que você só enxerga as virtudes da moçoila desejada, também só enxerga os defeitos da mocinha rejeitada. E assim, da mesma forma, de tanto ela se jogar, talvez um dia você “coma e pule fora”. Exatamente como você foi “usado” pela outra, você “usa” esta.

Aí entramos em um círculo vicioso eterno, onde “você quer quem não te quer” e “quem te quer você não quer”. Essa história é mais velha que o universo. Desconfio até que Adão e Eva cobiçavam algumas macaquinhas e gorilas da região…

E aí é que entra o grande paradoxo da questão: as grandes mulheres da minha vida foram “fáceis”. Não houve enormes esforços por um beijo, não houve um tremendo sacrifício por uma noite de sexo, e nem foi um esforço supremo “parecer especial” para ela. Simplesmente… fui. E ela simplesmente… foi. Houve EMPATIA, e não TRABALHO. De nenhum dos lados.

E com estas durei bons tempos juntos, fui feliz e criei uma história.

Pensa que eu aprendi? Nada! Ao término de um relacionamento, volta-se à estaca zero e esquece-se tudo o que aconteceu. E… principalmente… COMO aconteceu. E, pior, ao término de um relacionamento sobram os traumas. É muito fácil esquecer! OU a pessoa com quem tanto vivemos e fomos felizes instantaneamente vira um lixo, sem virtude alguma; ou desaparecem os defeitos e ela vira perfeita. Simples assim. E assim seguimos em frente em nossa errônea jornada da vida.

Aí eu me pergunto: isso é uma “Valorização Irracional do outro ser”, ou é uma “Desvalorização Compulsiva de si mesmo”?

Se você souber a resposta, me conte. Agradeço de coração.

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